Psiquê no Divã

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

E o que você vai ser quando você crescer?

Boa tarde, meu caros!

Eu ainda não consegui organizar minha vida de forma que eu torne mais constante minhas visitas ao nosso divã, mas com o tempo tudo se ajeita, como dizia meu avô.
Espero que todos tenham tido um bom Natal, tranquilo, harmonioso em seus lares e que a virada de ano tenha sido tão empolgante e animada quanto uma noite de sexo selvagem. (Risos)... Brincadeiras à parte, vamos voltar à nossa terapia de grupo. A primeira do ano de 2009.

Primeiramente, gostaria de desejar que todos sejam neste ano de 2009 mais audaciosos, sagazes, corajosos, firmes, intensos e determinados do que em qualquer outro ano de suas vidas. Eu poderia desejar paz, saúde, amor, fraternidade... mas são coisas tão clichês, não é verdade? Não que não se deseje, sim... é o que se espera sempre, mas resolvi desejar algo que geralmente está fora do contexto de "votos de prosperidade". Acredito eu que não seja necessário dizer que as características expostas acima tem de ser na medida exata, correto? Penso nesse momento que as pessoas mais contidas, mais cautelosas (e olha que eu me considero uma delas) devem estar pensando : "Audaciosos? Sagazes? What a hell, motherfucker ela está querendo dizer com isso"?

É muito simples. Aliás, as coisas costumam ser simples, geralmente nós que colocamos os empecilhos, complicamos demais algo que poderia ser resolvido com um pouco mais de atitude, "audácia". É neste sentido que eu gostaria que vocês introjetassem essa palavra em suas vidas. Acreditem, aquele ditado da época dos nossos avós sobre "não deixe para amanhã o que pode fazer hoje, meu filho", é bem certo. Eles poderiam até não aplicar exatamente tal filosofia em suas vidas, por uma questão de conceito, de sociedade, de criação e muitos outros fins, mas creio que boa parte dos ensinamentos que nos passaram foram tirados talvez de um pensamento visionário, borbulhante, com desejo por mudanças, porém castrado por uma existência frustrante de não terem concretizado o desejo mais profundo de seus corações.

Muitas atitudes nossas, são reflexos condicionados de uma criação restrita, regrada ou potencialmente levada ao extremo da negatividade, ou seja, a libertinagem. Algumas pessoas, talvez por trauma ou por uma espécie de revolta ao invés de transferirem pros seus filhos e netos toda a repressão que sofrera na época de sua criação, simplesmente vão ao extremo do inverso. Quanto mais contidos e oprimidos, mais soltos e desregrados serão com seus filhos. Salvando é claro, um caso ou outro que não se aplica à regra por ter encontrado o equilíbrio na criação dos pimpolhos, tão desejado.

Posso falar isso, tirando como base a relação com minha mãe. Ela nem de perto é uma mãe que vive os conceitos que a mãe dela pregava, apesar de vez ou outra serem gritantes as semelhanças de conduta: rigidez, seriedade, inflexibilidade... e seria até paradoxal dizer que mesmo ela tendo resquícios do que a minha avó foi um dia, vale ressaltar que ela ainda assim pode ser chamada de divertida, leve, flexível (sob alguns aspectos). É um fato consumado: as relações interpessoais vão sempre dar e tirar algo de alguém. Em alguns momentos, pode ser em algum ponto de vista, uma troca injusta. Whatever, faz parte da vida. A condição do jogo é: você sempre, eu disse SEMPRE, vai dar algo de si e levar consigo algo de alguém. Aquele que diz que não precisa de ninguém é tolo. Somos parte de um todo. Apesar de cada um ter sua opinião, seu modo de agir, ser e pensar, conformem-se se acham isso também injusto, mas cada indivíduo influencia (positivamente ou não) sobre a vida de outrem. E é uma influência contínua. Até os fins de nossos dias. Daí cabe a cada um saber mensurar essa influência.

Saber captar o melhor de suas relações e fazer com que os deslizes se transformem em aprendizado e não se tornarem influenciáveis à ponto de perderem sua própria opinião ou identidade. Creio que não há necessidade em me alongar sobre "ser influenciável", pois de certo os que participam do meu divã entendem claramente essa expressão.

Sinceramente, não sei o que serei quando for mãe: serena, dirigente, amiga, protetora, ousada, flexível, rígida, mãe, tia, sábia, conservadora, moderna... não sei como serei definida, mas independente disso tudo, se um dia meu (minha) filho(a), já criado(a), crescido(a), olhar nos meus olhos e disser: "Pra mim você é a melhor mãe do mundo", independente de qualquer título, poderei morrer feliz, porque saberei que cumpri bem o preceito da família Pereira. Seja eu como Iracema (avó), como Suzana (mãe) ou como Luciana (filha).

Abaixo segue uma música de Elis Regina que de certa forma, mexe comigo.
Enquete da semana: Como vocês se vêem sendo pais e mães futuramente?
Um abraço à todos e see you later!
Obrigada por mais uma visita! ^^

Como nossos pais

Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos

Quero lhe contar como eu vivi e tudo que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa

Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa

Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina

Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos jovens

Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua

É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz

Você me pergunta pela minha paixão

Digo que estou encantada com uma nova invenção

Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão

Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração

Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida

Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos

Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não

Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer que 'eu tô por fora, ou então que eu tô inventando'

Mas é você que ama o passado e que não vê

É você que ama o passado e que não vê

Que o novo sempre vem

Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude

Tá em casa guardado por Deus contando vil metal

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo que fizemos

Nós ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais!

posted by Luciana Santos at 11:23

2 Comments:

Puts..
Isso aqui é uma lição de vida.
vivendo e aprendendo , e de agora em diante , sempre estarei aqui para ler esse textos lindos e bem determinado a nos mostrar a quem nos somos e o que seremos.
Muito obrigado luh.

22 de janeiro de 2009 16:14  

Adorei cada palavra!

Bom, lá vai a resposta da enquete..rs

Eu me vejo uma mãe super protetora e mtas vezes chegando a rigidez exagerada! Mas ao mesmo tempo, uma mãe compreensiva com os problemas de meus filhos, uma pessoa que vai saber escutar e aconselhar, não apenas dar sermões e blá blás desnecessários. E acima de tudo aceitar meus filhos como são, se querem seguir um caminho digno e honesto, independente do que seja, estarei ali com meu apoio incondicional!

bom, acho que é isso..
rsrs


beijãoo Lu

26 de fevereiro de 2009 10:55  

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